O bote

13/09/2012    Postado em Contos, Textos

O olhar injetado. Audição direcionada, ignorando todo ruído que possa representar uma distração. Os músculos prontos para agir, num claro exemplo de reflexos aguçados. Ela sabe que não há espaço para duas pessoas, não há dois primeiros. Dois gatos podem dar o bote no mesmo pássaro, mas somente um deles terá sua refeição. O ruído do movimento aumenta a sensação de urgência e cada estalar de madeira a faz imaginar o momento da queda, a hora em que – é agora! O baque surdo a chama para agir. Só mais um som, e…

“Qua-ren-ta-e-dois!”
BINGO!

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Feito à mão

06/09/2012    Postado em Crônicas, Textos

Bom dia, caro(a) leitor(a). Depois de ler sobre uma iniciativa de um fabricante de canetas que meu amigo Edi Venturin mostrou, resolvi entrar na dança. Clique na imagem abaixo para ler o texto todo. Espero que goste.

-Fernando

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O velho Bilac

09/08/2012    Postado em Crônicas, Textos

Domingo é dia dos pais. Toda vez que lembro dessa data, duas memórias me vêm à mente. A primeira é o rosto do meu pai. A segunda, uma história que li há muitos anos, sobre o pai de Olavo Bilac. O velho Bilac sempre manifestou oposição direta àquilo que o filho fez na vida. Queria vê-lo médico, não conseguiu. Depois, Bilac tentou cursar Direito, mas também não levou adiante. Era poeta. Quando seu pai finalmente deixou este mundo, encontraram um volume do livro do filho, Poesias, lido e glosado. Não era apenas um volume guardado para memórias, o velho realmente conhecia o trabalho do filho. E admirava.

É importante conhecermos quem nos quer bem para sabermos de que maneira esse afeto se manifesta. Algumas pessoas têm a facilidade de conviver com gente que se expressa facilmente, mas isso me parece estar longe de ser a regra e, algumas vezes, o afeto se materializa de maneiras pouco convencionais – ou convencionais demais para notar-se facilmente. O velho Bilac tinha uma preocupação latente com o futuro do filho. Na cabeça dele, certamente, a carreira que Olavo seguiu não era boa o bastante para acalmar os temores de uma vida difícil. Ninguém parece ter visto isso, ou assim relatam os documentos que falam sobre o tema. No fim das contas, importa muito pouco a forma como esse afeto chega. O que realmente mostra sua força é a veemência, a presença, o silêncio confortante em um abraço firme e forte. E sabermos reconhecer que eles estão ali.

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