Archive for the ‘Textos’ Category

No dos outros

30/06/2011    Postado em Crônicas, Textos
 

As histórias que ouvimos durante a infância costumam se dividir entre as que nos causam medo e as que se tornam parte de nosso caráter e nossa moral. São parte importante da influência ambiental sobre nossa formação e algumas merecem ser passadas adiante. Como a admiração que desenvolvi pelo sistema político japonês depois de ver uma notícia na televisão dando conta de um político corrupto que, pego em flagrante, admitiu seus crimes e… cometeu seppuku. Isso, o salafrário deu cabo da própria vida na esperança de salvar a honra da família.

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Inquietude

23/06/2011    Postado em Idéias, Textos
 

O homem, nem bem alcança um objetivo, já começa a almejar algo novo. Isso não é um traço de caráter, é algo inerente à espécie e se manifesta individualmente em graus variados. Por mais que o sujeito negue, ele deseja algo. Dizer que somos escravos de nossos desejos é a definição de clichê. Não que sejamos escravos de verdade, o grau de manifestação dessa característica é o que define nossa relação com o desejo. Mas não há esse que, dotado de humanidade, seja desprovido de algo que lhe quebre a inércia. Se não por interesse próprio, por querer bem a outrem.

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Um texto

09/06/2011    Postado em Textos
 

Um texto é só um texto. Um dia é só um dia. Nada, em essência, é especial. O significado de cada coisa vem de nossa percepção. Como o hábito de tirar o relógio do pulso quando crio. À primeira vista, ele simplesmente atrapalha, mas quiçá seja um gesto para me desalgemar do tempo por um breve instante. Cada movimento do mundo à nossa volta é singular a partir do instante em que recebe um significado.

Por que hoje é nove de junho, escrevo pela primeira vez em nove meses de próprio punho o original deste texto, à caneta. É um dia singular, no qual serei capaz de ver o sol através da mais inclemente nuvem. Para o resto do mundo, este dia é uma quinta-feira. Para mim, é o dia em que se comemora o nascimento daquela que, mais que minha esposa, é minha companheira. E faço isso à mão porque sou dos que creem na palavra empenhada verbalmente e na declaração de amor à tinta e de próprio punho. Nenhuma outra forma traz o mesmo significado e, sem este, todas estas palavras são apenas letras no papel.

Há uns dias, testemunhei pessoas a dizer da ausência de significado do dia doze de junho. Para muitos, é uma data vazia, carente de completude, como um dia sem noite, o que explica as reações. É, também, uma ocasião de forte apelo comercial, já que é costume a troca de presentes entre os casais, e a solidão pode ficar mais pesada quando há cartazes de corações por toda parte e não se tem um colo para deitar a cabeça. Pessoalmente, deixou de ser apenas uma data ostentada no calendário de minha cidade há cinco anos, e o que celebro nesse dia é consequência daquilo que celebro hoje.

E hoje é, também, o dia em que o Troca Letra completa seis meses. Não é um terceiro significado para o nove de junho, mas um quarto ou um quinto, já que ela, minha querida esposa, é a minha maior incentivadora. Desde quando tomei a decisão de seguir carreira como autor até a escolha do nome deste lugar, em tudo encontrei nela apoio. Não seria falso dizer que ela acreditou mais nisto que eu próprio, embora o desejo de colocar em prática tenha nascido em mim. É, como disse, um dia cheio de significado. E esse é o tipo de coisa que se cristaliza como uma boa memória, daquelas que estão entre os tesouros que teremos na velhice, daquelas que viram as histórias que contaremos aos mais novos.

Feliz aniversário, Nana. E feliz dia dos namorados.

 

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