Archive for the ‘Textos’ Category

Chovendo no molhado

21/07/2011    Postado em Crônicas, Textos
 

É esquisita a mania crescente de se criar datas comemorativas. Dia das mães e dia dos pais a gente entende. Um segundo aniversário por ano é apenas justo por termos sido postos no mundo. Dia das crianças eu não gosto desde que deixei de ser criança e parei de ganhar presente na data, mas vá, é compreensível. Dia dos namorados… claro. Mas aí o povo fica animadinho e lá vem dia da sogra, dia do avô, da avó, até que um dia teremos o dia da Ararinha Azul, a ser comemorado no mesmo dia do político honesto, porque ambos encontram-se sob grande perigo de extinção.

Leia Mais

Sem Comentários

Nostalgia

14/07/2011    Postado em Crônicas, Textos
 

Você deixa um trabalho que lhe ancorava ao chão, que lhe doía o fígado de tão desgastante. Você muda para uma casa maior. Troca seu carro por um mais moderno, mais confortável. E, contudo, olha para trás. E sente falta daquele percurso que fazia todos os dias até o trabalho. E, distraído, dirige e dá de cara com o portão de sua antiga casa, onde você já não vive. E, no momento de se desfazer do seu carro antigo, bate aquela pontada no peito, aquela secura nos olhos.

O ser humano tem uma dificuldade absurda de sair da inércia, mesmo que seja para melhor. Um apego inexplicável ao presente ou, já tendo chegado o futuro, ao passado. Todo raciocínio lhe diz que há algo melhor, mas o sentimento quer o velho. O conhecido. Esse apego tem muito de um medo do desconhecido que nos acompanha desde a primeira infância, quando acreditamos em monstros sob a cama e dentro do armário. Depois de grandes, bem, aprendemos que sob a cama, quando tem alguém, é um humano que não devia estar lá e, dentro do armário… não interessa quem está dentro do armário, isso é problema de cada um.

Leia Mais

Sem Comentários

Cinzas

07/07/2011    Postado em Contos, Textos
 

O mar. Parece-me um azul um tanto fúnebre, como se também estivesse de luto, como também fosse dele a minha dor. Não, não sinto dor, foi melhor assim, basta de sofrimento. Sim, sinto algo como uma saudade estranha, que me seca a boca, mas que lembra minha mente que lhe prometi não parar de viver, não havia tempo para lágrimas. Mas houveram lágrimas. O mar foi feito delas. Mas agora já é tarde para elas. Ela se foi e está bem, mas não voltará mais para casa, por isso tenho essa saudade. Olho uma última vez para as cinzas. Atiro-as ao mar. Até logo.

Leia Mais

Sem Comentários