Archive for the ‘Diversos’ Category

Farinha pouca

08/03/2012    Postado em Crônicas, Diversos
 

Quem já ouviu falar no ECAD? Também (des)conhecido como Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, esse braço lucrativo da Cosa Nostra organismo obscuro tem por alegada função a arrecadação de valores relativos aos direitos autorais de músicas executadas e despacha às suas vítimas, direto de sua sede no universo paralelo de Fringe Acre, boletos malditos, mais irritantes que a música de seus primos, os pôneis.

A frequência com que o ECAD aparece na imprensa é irregular, mas sempre traz maus sentimentos e resultados ainda piores. Muito como uma prova surpresa na pior matéria de seu curso universitário. Mas o mais incômodo é que, de um lado, atrapalha gente que está trabalhando ou apenas se divertindo e, do outro, não parece beneficiar ninguém. Ou, ao menos, quem deveria receber os tais direitos. Ou os artistas são um bando de ingratos, porque, quando um deles se voltou contra as gravadoras, um monte de grandes nomes saiu na defesa delas. E ninguém parece defender o ECAD, só os boletos malditos.

Uma certa feita, um cantor e compositor me narrou um episódio que ilustra bem a sordidez desse órgão fálico obscuro. Ele aceitou um convite para tocar num evento para levantar fundos para um projeto social. Pouco antes de começar, enquanto passava o som, foi abordado por um sanguessuga fiscal do ECAD dizendo que ele não poderia tocar porque não havia pagado o boleto com a taxa. Uma taxa que seria repassada ao compositor. Que era ele mesmo. Segundo eu soube, o sujeito foi escorraçado pelos organizadores do evento, mas não foi indolor.

Esta semana, eles voltam aos holofotes porque querem começar a cobrar de blogs e sites que executem vídeos de músicas hospedados no Youtube. É claro que isso provocou uma comoção sem tamanho, pelo menos na internet. Mas provocou porque pode ser visto. Ninguém parece se queixar do repasse indelével, na conta do barzinho, da mesmíssima taxa. Que é ridícula, porque o dono do estabelecimento já paga impostos e até a assinatura de TV para pessoas jurídicas já é mais cara para cobrir os direitos de exibição. Farinha pouca, meu pirão primeiro. Pois eu sou escritor, (teoricamente) não ganho nem perco nada diretamente com a porca atuação dum órgão que ninguém sabe a quem presta contas de sua atuação, mas tomo como pessoal seu achaque. Ora, vai que um dia alguém resolve cobrar para que eu publique no site que eu banco do meu bolso o texto que escrevi no computador alimentado pela conta de luz que eu mesmo paguei? E, mesmo que isso nunca aconteça (e é, mesmo, pouco provável, num país de meio continente que perde pra um quarto dele em média de livros lidos por ano), porque deixar passar uma taxa que ninguém sabe para onde vai, apenas porque não saiu (diretamente) do seu bolso? Agora, o flanelinha que lhe extorque vinte reais para estacionar perto do circuito no carnaval, isso incomoda. O preço do combustível, da latinha de cerveja, isso incomoda. A incidência cascateada de impostos ninguém enxerga, mas o preço do smartphone da moda deixa um monte de gente indignado.

Moral da história? Antes da páscoa, ninguém vai lembrar mais do ECAD de novo, só as suas vítimas. E novembro? O que novembro tem a ver com isso? Simples: nada. E tudo. Em novembro as pessoas vão falar de campeonato brasileiro, de que faltam quatro meses pra sair atrás do Chicletão e da periguete moça famosa que teve neném. Dos funcionários públicos superfaturados eleitos um mês antes, ninguém vai lembrar. Nem do ECAD.

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Férias!

31/08/2011    Postado em Diversos
 

Coliseu

Senhoras e senhores, lamento informar que, extraordinariamente, não teremos publicações nesta quinta. Nem na seguinte. Estamos às voltas com uma ocupação maçante e estressante, que é fazer caber edifícios antigos e enormes na telinha minúscula da câmera.

Até a volta!

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