Archive for the ‘Crônicas’ Category

Nostalgia

14/07/2011    Postado em Crônicas, Textos
 

Você deixa um trabalho que lhe ancorava ao chão, que lhe doía o fígado de tão desgastante. Você muda para uma casa maior. Troca seu carro por um mais moderno, mais confortável. E, contudo, olha para trás. E sente falta daquele percurso que fazia todos os dias até o trabalho. E, distraído, dirige e dá de cara com o portão de sua antiga casa, onde você já não vive. E, no momento de se desfazer do seu carro antigo, bate aquela pontada no peito, aquela secura nos olhos.

O ser humano tem uma dificuldade absurda de sair da inércia, mesmo que seja para melhor. Um apego inexplicável ao presente ou, já tendo chegado o futuro, ao passado. Todo raciocínio lhe diz que há algo melhor, mas o sentimento quer o velho. O conhecido. Esse apego tem muito de um medo do desconhecido que nos acompanha desde a primeira infância, quando acreditamos em monstros sob a cama e dentro do armário. Depois de grandes, bem, aprendemos que sob a cama, quando tem alguém, é um humano que não devia estar lá e, dentro do armário… não interessa quem está dentro do armário, isso é problema de cada um.

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No dos outros

30/06/2011    Postado em Crônicas, Textos
 

As histórias que ouvimos durante a infância costumam se dividir entre as que nos causam medo e as que se tornam parte de nosso caráter e nossa moral. São parte importante da influência ambiental sobre nossa formação e algumas merecem ser passadas adiante. Como a admiração que desenvolvi pelo sistema político japonês depois de ver uma notícia na televisão dando conta de um político corrupto que, pego em flagrante, admitiu seus crimes e… cometeu seppuku. Isso, o salafrário deu cabo da própria vida na esperança de salvar a honra da família.

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Ducha

16/06/2011    Postado em Crônicas
 

Todo mundo, ou quase, tem uma história que não contaria nem sob tortura. Esta não é uma delas, mas para deleite daqueles que adoram ver um infeliz coçar o olho depois de pegar naquelas pimentinhas, das que ardem mais que pôr a mão no braseiro, ela é verídica. Sim, verídica. Não, eu não contei isso para muitas pessoas nos últimos quinze anos. Sim, eu estou dizendo isso para atiçar sua curiosidade. Para algo essa história tem de servir, afinal.

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