Fragmentos

16/05/2013 Postado em Crônicas

A capacidade de racionalizar as coisas talvez seja um dos mais importantes artifícios que temos em mãos para seguir adiante quando uma perda se abate sobre nossas cabeças. O raciocínio mais comum, o resignado é a vida, costuma vir justificado por idade, doença ou outro fator que nos pareça explicar a ausência, que nada cura, de alguém que foi parte de nossa história.

Esta não é uma constatação melancólica, embora haja um misto de tristeza e nostalgia em, ao abrir um álbum de retratos, se encontrar o rosto de alguém que não mais encontraremos, porque simplesmente não está mais aqui. Mas, logo em seguida, vêm as memórias, as histórias, o som daquela gargalhada que trovejava.

Cada imagem impressa evoca uma lembrança. Pouco a pouco, você percebe que os índios têm razão, a fotografia captura mesmo a alma. Em cada uma delas, há um fragmento das pessoas. E isso é maravilhoso, porque mesmo quando você já não for capaz de lembrar se tomou seus remédios, olhar para aqueles pedaços de papel trará a visita de pessoas queridas que nunca deveriam ter partido.



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