Medo vs. Respeito

06/12/2011 Postado em Idéias, Mensagens

Não costumo publicar aqui nada que não seja literário, mas hoje eu quero falar do Esporte Clube Bahia. Talvez seja literário, já que o que aconteceu nesta terça-feira, 6 de dezembro, e, possivelmente, ainda está acontecendo enquanto estas linhas são lidas dança freneticamente entre o ridículo e o ultrajante.

Não sou torcedor do clube e, sendo muito franco, a única coisa que me interessa em futebol é rir dos comentários infelizes de certos narradores. Mas cresci próximo de muitos deles e casei com uma particularmente apaixonada pelo Bahia. Ou Bahêa. E por eles eu soube que o atual gestor, senhor Marcelo Guimarães Filho, havia feito promessa à torcida de abrir o processo eleitoral do clube. O campeonato terminou, a torcida satisfeita com o balanço do time, com o trabalho do presidente, mas a palavra empenhada não foi honrada.

Consta de matéria de grande jornal baiano que, por decisão liminar do juiz Paulo Albiani, a eleição feudal mantida pelo ilustre senhor da palavra quebrada deveria ser suspensa e que um administrador interino por ele indicado deveria assumir a presidência. Decisão cumprida. Legalmente. Moralmente, a história pode ser contada de maneira um pouco diferente, o que é ultrajante. Os detentores de interesses contrários a um processo democrático começaram, quase que imediatamente, uma campanha de medo, incerteza e dúvida. Dizem, segundo palavras deles próprios nas redes sociais, que os jogadores que fizeram a alma do time e a alegria da torcida nesta temporada não ficarão a menos que o impasse se resolva de maneira favorável à manutenção do então gestor. Jogam baixo, jogam su e não apresentam nada concreto além do medo de perder um osso carnudo.

Independente do que acontecer, duas coisas devem ser mantidas em mente. Primeiro, e mais importante, é assim que se conhece o caráter de uma pessoa que tem poder nas mãos. Quem passou pelo regime mitar brasileiro ou estudou o que escapou dos censores tem ao menos uma ideia de como o mecanismo de manutenção do poder funciona. O próximo passo é a força bruta e, depois, o desespero. Gente que tinha o respeito mas escolheu o medo está fadada ao ostracismo, e o tempo é um adversário pacientemente implacável. Segundo, nenhuma forma de opressão à democracia deve persistir. Durante a ditadura espanhola, Franco proibiu o ensino e o uso dos idiomas regionais para enfraquecer a resistência. Hoje, eles são ensinados às crianças desde a alfabetização. O que fica por ser apurado é se os torcedores do único time de futebol que admiro, mesmo sem torcer e justamente por causa da torcida, vão apurar os fatos antes de tomar uma posição ou se vão emprenhar pelo ouvido e amarelar. Ouvi muitas frases queixosas de que esse é um momento ruim para esse tipo de acontecimento. Existe mesmo um mau momento para fincar pé no que é seu? Pensem bem.



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