Um milhão de amigos

02/06/2011 Postado em Textos

Eu quero ter muitos leitores. É a minha versão do “quero ter um milhão de amigos” do Roberto Carlos. Quero ter meu trabalho publicado e lido, não necessariamente traduzido em 30 idiomas, incluindo Na’vi e Esperanto, mas quero fazer sucesso. Evidente que sim. O sujeito que começa uma carreira entrando de cabeça e não espera ter sucesso na empreitada é louco, suicida profissional, ou… sei lá, só me ocorre que alguém assim tem que ter alguns parafusos a menos. Às vésperas de completar seis meses de vida, o Troca Letra fechou o mês de maio com 12.104 acessos, em um claro indicativo de que ou eu tenho mais leitores ou tem mais mecanismos de busca com robôs de pesquisa por aí. Considerando que, apenas de fevereiro a março, a estatística aponta um aumento de 7800 para mais de 11.100 acessos, sem descer dessa marca até agora, e que minha única propaganda tem sido feita por minha esposa, família, amigos e por minha conta do twitter, é um bom resultado, sem dúvida.

Melhor ainda é ver os acessos crescendo quando não faço pesquisa nem tenho agente pra me dizer o que dá ibope. Tudo o que faço é escrever aquilo que me vem à cabeça, que acho que vale a pena ser contado, com minhas palavras, e publicar. O que significa que meus leitores vêm porque gostam, ou não, do que faço. Numa época em que você encontra biografias de gente que nem atingiu a maioridade nas livrarias, considero muito importante não produzir material pasteurizado. E sou grato àqueles que visitam meu site e mais ainda àqueles que divulgam. Pobre de espírito o que acha que faz tudo sozinho. Tenho ajuda, muita ajuda, desde dentro de casa até de gente que nunca vi na vida.

Comemoro, também, esses resultados por não serem fruto de adesão às tendências da internet. Não faço piadas sem graça nem desço o pau gratuitamente em ninguém. Posso não entender nada de física, mas uma lei eu aprendi, e aprendi que ela se aplica a quase tudo, senão a tudo. As coisas têm módulo, direção e sentido. Acredito que seja da observação desse fenômeno que tenha surgido a expressão “meteórica”, aplicada à carreira de alguém. Não pretendo estar nos jornais da semana que vem. Pretendo, sim, ainda estar no cenário da literatura daqui a vinte anos. Aliás, no que depender de mim, não aparecerei em jornal algum. Os textos sim, teria prazer em vê-los publicados em papel. Mas simpatizo com Dalton Trevisan nesse ponto em particular. Gosto de sentar para tomar um café, abrir o computador e escrever, ser mais um em uma mesa qualquer. Imagino o assédio que o Verissimo, de cujo trabalho sou admirador, sofre.

Daqui a uma semana, o Troca Letra completa seis meses no ar. Dias depois, completa um ano a minha decisão de deixar de advogar para exercer profissionalmente a única atividade por que tive paixão desde sempre. À minha querida esposa, aos meus amigos, aos meus leitores, muito obrigado. E, se puderem, tragam mais gente. Tem espaço pra todos.

 



2 Comentários

  1. Lucas Braga disse:

    Fernando, você acaba de demonstrar algo que muitas pessoas do ramo da arte (incluindo artesanato) não tem a coragem de assumir. Puro mimimi. É raro ver honestidade desse tipo.

    E olha, eu não leio seus textos por que você está ~~próximo~~ de mim não, eu leio porque eles são bons. Já mostrei seus textos pra muita gente, desde minha família a professores meus. E sabe, seu objetivo tá fácil de ser alcançado se você continuar nessa mesma persistência, porque o que mais falta hoje em dia é bom conteúdo.

    Enfim, semana que vem é aniversário do TL. Fica, vai ter bolo!

  2. Fernando (pode sair duplicado este post)
    Esta sua atitude é a diferença! Quando as outras pessoas avaliam o sucesso de alguém, sempre foi sorte,apadrinhagem, momento, tudo menos ESFORÇO.
    Como eu digo, vejam os tombos e as pingas.
    Na mesma proporção que me desaponto com alguns amigos virtuais, eu me surpreendo e passo a admirar você.
    Parabéns e abraços!

Deixe seu Comentário