Archive for abril, 2011

Bonecos de Bolo (Parte III)

28/04/2011    Postado em Contos, Textos
 

Ela achou um bocado esquisito, entretanto, quando encontrou a dona da melhor loja de vestidos de noiva da cidade e ela lhe disse que tinha visto o escultor logo cedo, e que ele parecia estar muito bem. Não pelo que achou a senhora, mas por ele não ter mencionado nada. Provavelmente, era sobre alguma cliente em comum. Terminou esquecendo o assunto, absorta em trabalho. Uma noiva lhe havia encomendado uma ideia muito boa, mas igualmente trabalhosa. Servir os bem-casados em forma de mini bolos. A receita que escolheu requeria que fossem assados no dia, embora a massa pudesse ser feita com antecedência. Deu cabo do pedido, mas a recíproca foi verdadeira e, naquela noite, falou com seu escultor apenas por telefone e por uns poucos minutos. Tinha até sido convidada para o casamento que ajudou a preparar, mas faltaram-lhe forças.

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Bonecos de Bolo (Parte II)

23/04/2011    Postado em Contos, Textos
 

Não deixaram o local da recepção juntos, mas trocaram telefones e, desde aquela noite, falavam-se sempre. Não foi algo rápido, esse período de prospecção mútua. Era visível que tinham afinidades, mas ela tinha essa resistência à filosofia de trabalho do escultor de bonecos de bolo. Sim, claro, ela fazia bolos de casamento. Lindos bolos. Mas, para ela, eram apenas isso. Não enxergava nada de especial na cerimônia que sagrava a união de um casal e achava muito estranho, e até curioso, que ele visse tudo isso de maneira tão diferente.

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Bonecos de Bolo (Parte I)

14/04/2011    Postado em Contos, Textos
 

Uma noite bonita, se não fosse o temporal. Os convidados, espremidos na igreja, aguardavam ansiosamente a chegada da noiva, protelada contra sua vontade. A equipe da recepção do casamento, enfim, montou um toldo improvisado que lhe permitiu saltar do carro sem ensopar a cauda do vestido, e a cerimônia pôde acontecer. Era uma igreja antiga e sem luxos modernos, que jamais poderia ter por força de sua história, de forma que os presentes tiveram de se contentar com meia dúzia de ventiladores de coluna. Dizem que casar sob chuva é bom augúrio, e aparentemente é verdade. Ninguém teve senão elogios para a cerimônia, nem mesmo a habitual queixa da longa duração do sermão do padre. Da porta para dentro, tudo foi tão perfeito que a noiva parecia ter brilho próprio.

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