Archive for março, 2011

A hora dourada

10/03/2011    Postado em Textos
 

O som tenro do roçar de pelos no algodão subitamente lhe vem à mente. Ela aperta o retrato contra o peito, num instinto protetor enquanto sua mente revive memórias a uma velocidade tal que a sensação é a mesma de uma volta na xícara do parque de diversões. Sente-se impotente e desamparada ao mesmo tempo, mas não são sentimentos afins, senão opostos. E, contudo, andam juntos, a medir qual dos dois é capaz da maior devastação dentre suas entranhas. Sabendo que nada podia fazer, obriga-se a empurrar de volta o soluço. Era sua vez de confortar, ainda que simbolicamente, pela fotografia. Mas, por dentro, ela chora baixinho, desejando acordar, agarrar com força aquele pescoço e ouvir sua voz a lhe dizer que tudo está bem, enquanto a barba roça ternamente na gola do pijama.

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Aquarela

03/03/2011    Postado em Textos
 

Bonita. Assim se sente quando termina de vestir seu rosto com nuances diversas, que variam conforme seu humor. Suas feições outrora de uma inocência juvenil são realçadas pelo cereja do batom e a sombra, sempre leve e elegante, nos olhos.

Pergunta-se, de novo. Por onde andará, como estará hoje, aquela sua velha conhecida dos tempos que já se foram? Especula, mas sabe que não adianta procurar, ela se foi com as areias do tempo. Ou acha que sabe. Mas não se indaga da diferença entre achar e saber.

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