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A hora dourada

10/03/2011    Postado em Textos
 

O som tenro do roçar de pelos no algodão subitamente lhe vem à mente. Ela aperta o retrato contra o peito, num instinto protetor enquanto sua mente revive memórias a uma velocidade tal que a sensação é a mesma de uma volta na xícara do parque de diversões. Sente-se impotente e desamparada ao mesmo tempo, mas não são sentimentos afins, senão opostos. E, contudo, andam juntos, a medir qual dos dois é capaz da maior devastação dentre suas entranhas. Sabendo que nada podia fazer, obriga-se a empurrar de volta o soluço. Era sua vez de confortar, ainda que simbolicamente, pela fotografia. Mas, por dentro, ela chora baixinho, desejando acordar, agarrar com força aquele pescoço e ouvir sua voz a lhe dizer que tudo está bem, enquanto a barba roça ternamente na gola do pijama.

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