Archive for março, 2011

Trincheiras domésticas

31/03/2011    Postado em Textos
 

Era um caloteiro de princípios. Jamais iria a um lugar onde seu dinheiro fizesse falta. Sabia que um funcionário que por ele tenha sido enganado não poderia ser realmente prejudicado, então não tinha pudores de atacar um estabelecimento cujo proprietário guiasse um carro mais caro que seu apartamento. Apartamento esse que lhe rendia uma diversão garantida todas as manhãs. Depois de um rápido café com pão e manteiga, ele tentava adivinhar o que o síndico tinha adivinhado que ele ia fazer para escapar sem o encontrar e fazia o exato oposto. Era infalível, e os meses sem pagar condomínio eram a prova. O regimento permitiria ao síndico votar em assembleia, como punição pelo débito, a perda temporária do domínio sobre sua garagem. Como ele não dirigia, isso não valeria de nada. Havia, com seu nome escrito, uma gastrite no estômago daquele pobre gestor. Prestes a ser promovida a úlcera.

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Perenidade

24/03/2011    Postado em Textos
 

Aos 79 anos, morreu Elizabeth Taylor. E viu-se uma comoção generalizada pela perda de uma única pessoa, muitas vezes desconhecida além de seu trabalho pela maior parte do público. Desde muito novo, poucas vezes testemunhei esse tipo de evento. Personalidades, em suas áreas mais variadas, selando com chave de ouro sua presença na memória coletiva. Deixando uma sensação de vazio que pode nunca desaparecer, uma cicatriz na história contemporânea.

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Reforma

17/03/2011    Postado em Textos
 

Instalei um novo corretor ortográfico em meu computador, para me adequar às novas regras trazidas pelo acordo gramatical. Devo confessar que estou desapontado, embora ainda falte determinar se comigo ou com a nova ortografia. Basicamente, ou perdi a capacidade de discernir, ou essa ortografia não seria aprovada nem num vestibular da década passada. Essa idéia, digo, ideia reformista foi meio impensada. Diferente da última, quando algumas coisas realmente melhoraram, esta não fez nada de realmente útil e ainda deu fim no trema. Definitivamente, uma inconseqüência. Er, inconsequência.

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